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A vida de adoração

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A intimidade e o aprofundamento no relacionamento com Deus

Não é só estudo, é intimidade.

Para chegarmos a ser adoradores devemos primeiro conhecer a Deus. É desejo de Deus que sejamos verdadeiros adoradores e o Espírito nos revela quem é Deus. O conhecer a Deus não se baseia somente em estudos. O estudo, mesmo que aprofundado intelectualmente é superficial se o Espírito não revela. Não existe conhecimento verdadeiro sem adoração. Todo crescimento intelectual que podemos receber não se compara com o revelar do Espírito em nossos corações. Este conhecer a Deus através do Espírito e a comunhão íntima com Deus constituem a adoração.

Estudando com unção.

Quando começamos a buscar na bíblia, catecismos, com unção e ensinamentos do Espírito sobre conhecer a Deus, o próprio Espírito se encarrega de nos revelar a Deus. Podemos nos deparar com pessoas de pouca cultura e recursos humanos, mas que estão na presença de Deus em adoração e, portanto são mais sábios que vários estudiosos. Deus esconde dos sábios e estudiosos e revela aos pequeninos. (Lc 10,21b)

Relacionamento com Deus aprofundado.

Cada vez que o Espírito nos revela algo de Deus nossas vidas devem ser transformadas e principalmente nosso relacionamento com Deus deve ser aprofundado. Mas o próprio Senhor nos leva a contemplar tudo, gerando vida em nosso espírito, transformando informações em poder enquanto estamos em comunhão com Deus em adoração. Nós por outro lado apresentamos a Deus nossa total admiração e humilhação pelo o que vimos e recebemos do Espírito pela revelação espiritual. A adoração é a única reação possível diante da glória e do poder de Deus.

Frutos da Adoração.

A adoração traz aperfeiçoamento espiritual para o adorador porque recebe uma porção maior da presença do Espírito para inundar todas as áreas da vida, trazendo mais santidade. A vida de adoração traz vários benefícios espirituais para as nossas vidas. A vida de adoração fortalece a fé, nos ajuda a andar no Espírito, corrige nosso sistema de valor, nos leva a cumprir o propósito de nossa existência “… redenção do povo que Ele adquiriu para o seu louvor e glória” (Ef 1, 14), e somos transformados de glória em glória (II Cor 3, 18), liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo (CIC. 2097) e Deus investe nos adoradores concedendo-lhes a unção.

Adoração X Mentira.

A adoração para Deus tem que ser fluída pelo Espírito. Não existe adoração da boca pra fora. Deus não aceita uma adoração que não venha do próprio Espírito (Lv 10, 1-2). Não há como enganar a Deus. Ele conhece nossos corações e nossas intenções. Em Am 5, 22-23 diz que o louvor se torna um barulho insuportável quando não buscamos a comunhão com Deus, agradar a Deus. Muito mais que o louvor de nossos lábios Deus quer que vivamos a verdade. O Senhor deseja que nos reconciliemos com Ele antes de O servir ou até mesmo de adorá-Lo. Não existe adoração com lábios impuros ou corações endurecidos. Isto não quer dizer que devemos ser santos para achegarmos a Ele, mas reconhecer que precisamos Dele para a nossa santificação.

Profundidade na Adoração.

A adoração não pode jamais depender de fatores externos como pessoas, instrumentos musicais… Podemos até usar de alguns destes fatores, mas tudo isto fica na dimensão externa como um suporte físico. Quando chegamos a um nível mais profundo de adoração nenhum fator externo tem mais valor. A base de nossa adoração tem que ser sempre Jesus. Só entramos na presença de Deus por meio do Sangue de Jesus que nos deu acesso ao Trono da Graça.

O pecador liberto por Jesus se vê diante de Deus como uma nova criatura não consegue fazer outra coisa senão adorá-lo. O lugar, o que está em nossa volta deixa de existir e entramos na dimensão da adoração onde somos totalmente tomados pela glória de Deus.

A glória de Deus é tão imensa que os nossos corações são muito pequenos para reconhecer perfeitamente o que dela contemplamos. Somos ainda menos capazes de expressar essa glória com palavras, mas adoramos em espírito e por isso a nossa adoração consiste em sentimentos espirituais que junto com as palavras e a verdade chegam ao coração de Deus. Como pode ser possível contemplar a obra de Jesus, o amor do Pai e a presença do Espírito Santo sem se deixar ser consumido em adoração?

Nádia Taboas
Membro da Renovação Carismática Católica Latina de Massachusetts (EUA)

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Klesis = Chamado?

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Devido a alguns questionamentos que ainda surgem em relação ao nome do Ministério Klesis, levantando duvidas quanto a autencidade do seu significado tantas vezes esclarecidas por nós que fazemos parte do ministério, resolvemos publicar abaixo um trecho da Instrução Redemptionis Sacramentum da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, parágrafo 42:

“É necessário reconhecer que a Igreja não se reúne por vontade humana, mas sim convocada por Deus no Espírito Santo, e responde pela fé ao seu chamado gratuito (com efeito, ekklesia tem relação com Klesis, isto é, chamado). Nem o Sacrifício eucarístico se deve considerar como «concelebração», em sentido unívoco, do sacerdote ao mesmo tempo que do povo presente.”

Esperamos que todos tenha oportunidade de conhecer melhor esse documento que trata sobre algumas coisas que devem ser observadas e evitadas a respeito da Santíssima Eucaristia. Para quem deseja conhece-lo melhor acesse o site oficial do vaticano no link que segue abaixo:

Instrução Redemptionis Sacramentum

Boa leitura e obrigado a todos!

Deus abençoe!

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Ministrando o louvor

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Quatro pontos essenciais para quem ministra louvor

Estar à frente de um povo, sendo canal de benção e direção de Deus é uma missão para o servo do Senhor, que não pode ser levada de forma irresponsável. Além de elevar o próprio louvor ao Senhor, o ministro precisa se preocupar em ajudar aos que estão com ele a também louvarem. É importante que a ministração não seja vista como “animação”, como mero preenchimento de espaço. Cada palavra que sai de nossa boca tem seu efeito na vida das pessoas que se confiam ao nosso ministério. É preciso empenho, fora do altar, púlpito, palco, para que, quando estivermos nele, possamos estar mais abertos à graça de Deus. Sem dúvida, o Senhor não deixa de agir, por que não estamos preparados, mas quando nos dispomos à preparação estamos mais ligados na vontade de Deus e Ele pode agir mais através de nós. Algumas realidades, ao meu julgar, são indispensáveis, para aquele que deseja realmente ser um ministro de louvor segundo o coração de Deus.

Intimidade com Deus.

Não há como servir a Deus sem conhecê-Lo. Não há como falar Dele, sem saber sobre Ele. A amizade com Deus nos traz a segurança de que Ele estará conosco, que cuidará de tudo. Quando não estamos em unidade com o Senhor sentimos como que se a ministração saísse de nós e não Dele, e sabemos que não temos poder algum, e acabamos querendo forçar Deus a fazer algo pelo nosso falatório, ganhar a graça pela oratória, mas isso o Senhor não faz. Ele não se deixa impressionar pelas palavras, mas pelo coração. Quanto mais próximos do Senhor estamos mais Ele aparece e nós diminuímos, mais Ele opera em nosso favor. Quando buscamos de coração a intimidade com o Senhor, Ele se revela a nós, revela sua vontade para nossas vidas e para a vida dos que estão adorando a Ele conosco. Aí sim, nós no Senhor somos uma potência. O Senhor faz da nossa boa oratória um instrumento cheio de unção, mas se estivermos em comunhão com Ele, senão serão palavras soltas e inférteis.

Conhecimento da palavra de Deus.

A Bíblia é como o manual de vida nos dado por Deus. Tudo que precisamos saber para sermos fiéis ao Seu chamado está nela. É uma forma de estarmos também unidos ao Senhor. Lendo Sua Palavra, conhecemos sua vontade, aprendemos Dele como agir, como fazer, o que fazer, como agradar Seu coração. Aprendemos com a história do povo de Deus como ser também desse povo. Quanto mais lemos a Palavra de Deus, mais somos conformados segundo a mentalidade de Cristo, mais enraizamos as verdades do céu em nós e, como sabemos, mais falaremos das coisas celestes, pois a boca fala do que o coração está cheio. Assim, o Espírito Santo poderá inspirar em nós caminhos bíblicos para a ministração. A Palavra diz: “O Espírito vos recordará de todas as coisas”, então é preciso que tenhamos o que ser recordados. Nossa vida precisa ser norteada pela Palavra de Deus, não podemos ser duplos, uma vida ministerial e outra quando não estamos ministrando e isso só aprendemos na Palavra. Lendo-a se faz parte de nós e transforma nosso viver.

Empenho ministérial.

O empenho ministerial é aquele tempo que dispensamos para aprender mais do nosso instrumento (se tocamos), mais sobre técnica vocal (se cantamos), é o tempo que dispensamos em aprender mais canções, em tocar e cantar as que sabemos melhor. É também o tempo que tiramos para ler livros, artigos sobre nosso ministério, testemunhos de outros ministros, mais experientes que nós. É o tempo que tiramos para orar por nosso ministério, por aqueles que fazem parte dele conosco. O Senhor é digno de um louvor com excelência e só podemos dar isso a ele se nos empenhamos. É como a parábola dos talentos: o Senhor nos dá o talento, há pessoas que já nasceram com uma voz boa, por exemplo, mas que se não se empenharem em progredir vão acabar enterrando esse talento, o que não agrada ao Senhor. Deus deseja ver seus filhos multiplicando os dons que Ele deu. Esse tempo que reservamos para o nosso ministério reflete como liberdade quando estamos ministrando. Se sabemos as canções, as letras, se estamos confiantes ao cantar, confiantes pelos testemunhos e formação que fizemos e lemos, podemos ficar mais atentos ao mover de Deus e menos em nós mesmos. Se eu não estudo a música, sua letra e melodia, fundamento bíblico-cristão, se não confio na minha técnica musical fico presa demais em mim mesma, para que não erre, não passe vergonha, mas o que deixo passar é a graça de Deus.

Sabre sobre o lugar e sobre o povo.

Outra realidade que julgo precisarmos estar atentos é saber sobre o lugar e o povo que estamos ministrando. É muita arrogância do ministro achar que somente ele tem algo a oferecer ao povo, quando na verdade, cada lugar com sua história e experiência de Deus é quem vai direcionar a ministração. O Senhor é conhecedor de todos e de tudo, sabe sobre cada lugar onde nossos pés pisarem, mas nós também, por amor a esse povo, precisamos saber. Cada lugar é precioso aos olhos do Senhor e quando procuramos saber sobre a história e a realidade de algum lugar também somos tomados pelo amor que o Senhor tem por eles. Nos tornamos mais próximos e assim temos maior abertura e confiança daqueles que oram conosco e , assim, maior abertura à graça do Senhor.

Que esse possa ser nosso começo, nosso ponto de partida: buscar dia após dia estar diante de Deus, ler sua Palavra, ouvir a Sua voz, nos empenharmos em dar um louvor com excelência ao nosso Deus e amar, amar a todos que o Senhor colocar em nossos caminhos. Tudo isso, claro, com a ajuda do Espírito Santo, aquele que opera todas as coisas em nós.

Carol Carolo

Fonte: sacramusic.com

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Musica e Canto Litúrgico - Parte IV

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O ministério da música e do canto
 
"O canto não deve ser considerado como mero ornamento que se acrescenta à oração, como algo extrínseco, mas antes como algo que emana do profundo do espírito daquele que trabalha e louva a Deus, e mostra de maneira plena e perfeita a índole comunitária do culto cristão."(IGLH 270). O ministério do canto é exercido por todos os membros da assembléia , de acordo com suas diferentes funções litúrgicas. Há cantos que cabem a toda a assembléia, outros que cabem ao ministro, ao coro, ao grupo de canto, ao salmista, sendo que a função do animador ou dirigente do canto é muito especial.

a) A assembléia, comunidade celebrante -“Nada mais festivo e mais grato nas celebrações sagradas do que uma assembléia que, em seu conjunto, exprime sua fé e sua piedade por meio do canto.”(MS 16) A assembléia é o ministro principal da música e do canto. Todos - ministros, cantores e povo – formam uma grande comunidade, sinal da assembléia universal e definitiva em que “toda criatura , do céu e da terra, cantará “Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, louvor, honra e glória pelos séculos dos séculos.” (Ap5, 13). B. Huijbers, em seu “L`art du peuple célebrant: “O canto comum é um termômetro que marca o grau de participação de uma assembléia... Não se trata aqui de uma obrigação, mas sobretudo de uma graça. Cantar com os outros pressupõe que a pessoa se entregue e revele algo íntimo... A celebração assume sua verdadeira imagem quando todos começam a cantar juntos.” A renovação litúrgica do Vaticano II tem sua principal razão de ser na participação do povo de Deus no mistério de Deus que se realiza na liturgia. “O povo tem o direito e o dever a esta participação.” (SC 14) Todos os serviços e ministérios nascem da comunidade e a ela se destinam., para sua melhor participação e crescimento espiritual e a “edificação do Corpo de Cristo.” Portanto, a assembléia tem a primazia na participação pelo canto!

b) O coral e o seu ministério na comunidade – A Ordenação Geral do Missal Romano diz que “Entre os fiéis, o coro e os cantores exercem um ofício litúrgico próprio, tendo sempre em vista “favorecer a participação ativa dos fiéis no canto.” O coro desempenha um verdadeiro ministério, em benefício da própria comunidade, sobretudo:1) pela valorização da liturgia cantada (MS 5); 2) pela observância do sentido e da natureza própria de cada rito e canto (MS 6); 3) pela necessidade de variação nas formas de celebração e de participação (MS 10); 4) pelo auxílio que presta à participação do povo (MS 19 ).

c) O animador do canto e seu ministério na comunidade – “Providencie-se haja ao menos um ou outro CANTOR, devidamente formado, o qual deve então propor ao povo ao menos as melodias mais simples, para que este participe, e deverá oportunamente dirigir e apoiar os fiéis. Convém que haja tal cantor também nas igrejas dotadas de coral.” (MS 21). É importante haver um bom ensaiador-animador, pois dele depende em grande parte a boa participação cantada do povo. Alguém que tenha verdadeira capacidade de comunicação, que exteriorize sua liderança, que faça vibrar toda a assembléia com seu próprio entusiasmo; alguém afinado, cuja voz possa chegar a todos , movendo-os com seu dinamismo e convicção. O bom animador/dirigente/guia deve preocupar-se com seu volume e tom de voz, sua vocalização, sua expressão corporal (expressão do rosto, gestos e posição), seu lugar no interior da assembléia, o uso do microfone. Não bastam a boa vontade e a fé para uma boa interpretação do canto como animador – animar não como numa festa ou show, mas o momento da celebração exige outro tipo de animação. Cesário Gabarain nos dá algumas orientações: “Deve ficar num lugar visível, mas ao mesmo tempo discreto. Bem visível para que possa transmitir devoção, segurança e confiança. Discreto para nunca se transformar no centro da celebração...”

d) Instrumentistas e seu ministério na comunidade - “Os instrumentistas podem ser de grande utilidade na liturgia, quer acompanhando o canto, quer sem ele.” (MS 25), à medida que prestam serviço à Palavra cantada, ao rito e à comunidade em oração. O instrumento, como a voz humana, não deve em si ser classificado como sacro ou profano. Vai depender do uso que dele fazemos, do contexto em que tocamos, da integração do mesmo na Celebração, nos diversos ritos e momentos celebrativos.Os documentos da Igreja abrem espaço para a inculturação: “Para admitir e usar instrumentos na liturgia, deve levar-se em conta o gênero, a tradição e a cultura de cada povo.” (MS 63) Algumas funções: sustentar o canto, facilitar a participação e criar a unidade da assembléia, com a advertência de que o som dos instrumentos jamais cubra as vozes, de modo que os textos e a mensagem sejam claramente ouvidos e compreendidos. Quanto aos instrumentistas, o documento sobre a Música Sacra adverte também: “... não somente sejam virtuoses no instrumento que tocam, mas tenham entranhado conhecimento do espírito da liturgia e dele estejam penetrados.” Assim, além da qualificação técnica, espera-se que tenham formação litúrgico-musical básica, e vivência litúrgica, para que possam melhor exercer sua função, servindo à liturgia, e não se servindo dela para promoção pessoal. Três coisas importantes para isso: unidade entre o gesto corporal, o sentido teológico e a atitude espiritual. Portanto, “tocar um instrumento exige atitude espiritual, envolvimento na ação litúrgica, por sua atenção e participação ativa e consciente.” (Estudo 79 da CNBB). Todos os instrumentos são acolhidos e bem-vindos na Celebração. O órgão ocupa certamente o primeiro lugar, pois é o instrumento básico na liturgia ocidental, citado em todos os documentos da igreja. Mas não é o único, e nem sempre foi assim... Gino Stefani, em seu livro “A aclamação de todo um povo”, nos fala dos instrumentos que têm principalmente um papel, uma função de “sinal”, de “som-sinal”, isto é, aqueles que não atraem a atenção sobre si, com o objetivo de espetáculo, mas que apontam para outra realidade, com função ritual, indicando o gesto, a ação, dando-lhe assim a importância que merece. Entre eles: os sinos (tubulares, hoje usados na orquestra) e o gongo. A seguir, os metais – trombetas, trombones...(anunciar um canto de entrada, aclamar a Palavra, a multidão...), pela tradição bíblica e religiosa; os de percussão, como o tambor, por sua função universal , além de tímpanos e tamborins, como sinal, reforço aclamatório, apoio rítmico, sempre com determinado objetivo, música, gesto ou momento celebrativo. Na liturgia judaica, já os encontramos presentes, divididos em três categorias: corda, sopro e percussão. Os de corda eram os mais apreciados e apropriados para acompanhar os hinos e salmos: cítara, harpa, alaúde, saltério e lira. Os de sopro: flauta, corneta e trombeta, de grande importância, sobretudo pela sua analogia com o Espírito Santo, Sopro de Deus, evocando, pois, a própria voz do Senhor: “O sopro de Deus ressoa imponente nas trombetas...nos orifícios da flauta...” Em terceiro lugar, os de percussão: tamborim, tambor, pandeiro, triângulo, campainha, sineta. E entre nós são muito aceitos: o atabaque, que tem caráter convocativo e para criar clima de oração. O importante é não “desconcertar” ninguém (= não colocar pessoa alguma fora do concerto), ou seja excluir alguém da celebração, porque a linguagem musical nos perturba, não nos permite rezar, nos é estranha, não conseguimos nos exprimir com ela na liturgia... Entre os nossos instrumentos mais usados destacam-se: as cordas – violão, viola, cavaquinho; percussão – tambores e equivalentes, com tradição bíblica e histórica (ibérica, indígena, africana); entre os de sopro, as flautas, pela analogia com o órgão e pela tradição bíblica e folclórica; o acordeão, de grande familiaridade nos meios populares. Equilíbrio e bom senso, atenção, espírito litúrgico e sensibilidade, para usar de forma adequada os instrumentos, sempre em função da Palavra cantada, do tempo litúrgico, do momento celebrativo, em vista da participação do povo, sendo que a importância do instrumento lhe vem pelo seu caráter simbólico, evocando a voz e ação do próprio Deus. Preferir os instrumentos naturais e acústicos aos eletrônicos, que às vezes fazem muito barulho e pouca música, não favorecendo ou até dificultando a oração da assembléia!

CONCLUSÃO:

“A celebração não é, pois, um conjunto de palavras e gestos unidos de maneira externa e artificial, nem uma sucessão de elementos diversos, todos no mesmo plano. Na verdade, é um grande movimento que se desenvolve, se amplia, chega a um ponto culminante e se encerra, como uma grande sinfonia, ou como a História da Salvação. Os elementos que a compõem se organizam e se concatenam para constituir um grande ritmo, animado por um alento respiratório , por uma vitalidade interna e por uma lógica intrínseca.

Na celebração... os fiéis constituem a nação sagrada, o povo que Deus obteve para si, e o sacerdócio real, que agradece a Deus, oferece, não só por meio do sacerdote, mas juntamente com ele... e aprende a oferecer-se a si mesmo... Atuem, pois, como um único corpo, tanto ao escutar a Palavra de Deus como ao participar das orações e dos cantos, e, especialmente, ao oferecer comunitariamente o Sacrifício e ao participarem todos juntos da mesa do Senhor.Essa unidade manifesta-se claramente na uniformidade de gestos e posturas dos fiéis. Portanto, os fiéis não devem rejeitar servir ao povo de Deus com prazer, quando lhes é pedido que desempenhem na celebração determinado ministério.” (OGMR 62, citado por Francisco Escobar, no Manual de Liturgia II – Paulus, à pág. 64).

E Lucien Deiss:

“Feliz a comunidade que tem a alegria como a rubrica principal da sua liturgia. Que quando celebra a Palavra, se encontra com o rosto de Cristo ressuscitado em cada página da Bíblia! Que ao partilhar o pão e o vinho da Eucaristia, partilha, ao mesmo tempo, o amor entre irmãos e irmãs! Que, para presidir a sua celebração tem um sacerdote, não para dominá-la, mas para servi-la, como irmão!

A missa é o coração da comunidade cristã. A beleza de cada missa é a beleza de Cristo na nossa vida!” (A Missa da comunidade cristã, Lucien Deiss – Editorial Perpétuo Socorro, Porto, Portugal, pág. 126).

Os símbolos litúrgicos, gestos, música, palavras, ritos... são realidades abertas, nunca compreendidos e captados plena, adequada e definitivamente... Ao contrário, exortam a ir sempre mais longe e mais profundamente; eles orientam para um ilimitado universo de significações. Põem em comunhão com mistérios insondáveis, porque são divinos; os mistérios de Cristo Pascal, até a iluminação do último dia, no qual já não haverá nem rito nem símbolo, porque nos será dada a graça de ver face a face Aquele que eles evocam e a Quem nos fazem encontrar na obscuridade e na fragilidade da fé.” ( Manual de Liturgia II – CELAM, Paulus, pág. 106).

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Fonte: http://www.irmamiria.com.br/

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Musica e Canto Litúrgico - Parte III

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Relação entre música e rito


h) Canto das oferendas - ( Liturgia Eucarística) – Preparação dos dons. É canto que acompanha a apresentação dos dons do pão e do vinho, facultativo e tem verdadeiro sentido quando houver a procissão das oferendas para o altar. Diz a Instrução do Missal: “O canto das oferendas acompanha a procissão das oferendas e se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido colocados sobre o altar.” Portanto, não deve se prolongar, uma vez que acompanha o rito da procissão com os dons. Não é um canto para oferecer o sacrifício: a única oferta é Jesus Cristo e nós, “por Ele, com Ele e nEle”, em sacrifício vivo e santo; é, sim, canto para apresentar os dons e preparar a mesa do altar, após a liturgia da Palavra... Por isso, evitar os “cantos de ofertório”. Momento com muitas possibilidades, dependendo da solenidade ou da festa: um hino a Jesus Cristo, ao Espírito Santo, a Maria ou outro; um solo de órgão ou outro instrumental, um dueto vocal, o coro, além de responder cantando à oração de bênção: “Bendito sejais, Senhor Deus do Universo...” (Os momentos da preparação dos dons: a apresentação do pão, a apresentação do vinho, a mistura da água e do vinho, as outras oferendas – nossa partilha fraterna, e a oração sobre as oferendas. A apresentação dos dons é o pórtico de entrada da oferenda eucarística).

i) Sanctus, a aclamação do universo (A Oração Eucarística – Introdução: antífona, Cânon, oração eucarística) – Tem sua origem no Oriente, século II. O texto bíblico: um manto de retalhos, uma compilação de textos bíblicos – As duas primeiras aclamações, tiradas de Isaías, de sua visão dos anjos prostrados diante do altar... “Toda a terra está cheia de sua glória” Hosana. do hebraico Hosiah-na= dá a salvação, do salmo 118,25 – “Senhor, dai-nos a salvação!” Nas alturas = Deus que habita os altos céus... Bendito o que vem: Sl 118,26, que a tradição transformou numa aclamação messiânica: “Bendito O que vem em nome do Senhor!”, festejando e aclamando o Senhor, quando de sua entrada em Jerusalém. (Mt 21, 9). Portanto, o clima bíblico do Santo é de celebração gloriosa: teofania (manifestação de Deus), deve produzir expressão exuberante de alegria, aclamação jubilosa, unânime e solene com que se conclui o prefácio (que inicia a oração eucarística, e devia ser cantado).O santo, como o salmo e o Amém doxológico, é o principal dos cantos do Ordinário da missa. É a primeira aclamação da assembléia na prece eucarística, e como hino-aclamação, deve ser profundamente festivo e jubiloso, evocando a aclamação entusiasta do povo no dia de Ramos, a parusia gloriosa no fim dos tempos, ambiente de festa em que céu e terra se unem, reunindo num louvor cósmico e universal, os santos do céu e a Igreja da terra. Segundo o Apocalipse, o Sanctus é a aclamação da liturgia celeste. A assembléia deveria ficar à vontade e alegre, ao cantar esse louvor solene, sentindo-se intérprete fundamental desta aclamação, a primeira e mais importante a ser cantada pela comunidade. A melhor forma de cantar o Santo é a forma direta. Não deve ser substituído por “versões tão livres que não correspondam à doxologia bíblica.”

j) Aclamação Memorial – Esta aclamação, tal como a conhecemos hoje, foi inserida após o Vaticano II. Logo após a narrativa da Instituição, o presidente canta ou diz: “Eis o Mistério da fé!” e todos aclamam,de pé, como povo ressuscitado em Cristo: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte...” ou “Toda vez que se come deste pão...” ou ainda “Salvador do mundo...” , proclamando sua fé em tom aclamativo, fazendo memória do mistério pascal de Cristo – sua vida e mensagem salvadora, sua paixão e morte, ressurreição e ascensão ao céu, enquanto aguarda a sua vinda gloriosa. Tem, portanto, um caráter pascal, diferente daquele cunho dramático-devocional, que perdurou por séculos em nossa liturgia, com relação à narrativa da instituição, antes do Concílio Vaticano II. Não pode ser substituída por cantos de adoração ou benditos...Segundo Antonio Alcalde, em seu livro “Canto e Música litúrgica”, qualquer das três aclamações é válida. Mas recomenda: Advento e Natal – “Anunciamos, Senhor...”; Quaresma e Páscoa – “Salvador do mundo... “; Tempo Comum- “Toda vez que se come...”, mas a primeira é a mais usada nos domingos.(Também chamada de Anamnese, do grego= lembrança, comemoração).

k) Aclamação à doxologia final - O grande Amém - Ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Conclui a Oração Eucarística: Ao “Por Cristo, com Cristo, em Cristo...”, recitado ou cantado pelo presidente, enquanto eleva ao Pai com bastante expressividade o pão e o vinho transformados em Corpo e Sangue do Senhor, portanto em Eucaristia e ação de graças, a assembléia deve aderir e prorromper com o “Amém”, muito vibrante e solene, repetido várias vezes, cantando portanto, e podendo-se aplaudir. Este amém nos lembra nossa dignidade de povo sacerdotal, participando com ele da prece eucarística.Lembra-nos Santo Agostinho: “Seu amém é sua assinatura, é seu consentimento, é seu compromisso.” E São Jerônimo recorda-nos que esse Amém “ressoava como um trovão” nas basílicas romanas. É o movimento do universo rumo à eternidade de Deus, aquilo que o gesto da doxologia quer significar. “Toda a criação nasce do coração do Pai, como fruto do Seu amor. Toda a criação alcança a sua existência por Cristo, primogênito de toda criatura” (Col 1, 15). Toda a criação é habitada pelo Espírito que a enche do Seu amor.” (Lembra Pe. Busch – os pedaços da vida que vamos oferecendo, o amém da vida inteira entregue... AMEM! ALELUIA1) Nosso Papa João Paulo II- sua última palavra: Amém! SEMPRE devia ser CANTADO, pois é de fundamental importância. Há várias fórmulas no Missal.

l) Pai Nosso: a oração dos filhos – Chegou até nós por dupla tradição: Mateus 6, 9-11 e Lucas 11,2-4. São sete petições, das quais as três primeiras “celestes” – Deus, sua Vontade e seu Reino, e as quatro seguintes “terrestres” , pois dizem respeito a nós, humanos. O próprio Jesus nô-la ensinou, dirigindo-se a Deus como “Abba, Pai!”. Provavelmente foi introduzido na Missa com Santo Ambrósio, pelo século IV. A celebração eucarística é em si mesma louvor dos filhos ao seu Pai do céu. Pode-se cantar o Pai Nosso, numa melodia simples, em forma de cantilena, ou gregoriano. Sendo um texto bíblico, não deve ser substituído por paráfrases ou outros textos. O Pai Nosso na Missa não é conclusivo, e sim nos introduz ao rito da comunhão. Por isso não se diz Amém no final.

m) Embolismo - “Livrai-nos de todo o mal, Senhor!” – A palavra vem do grego (embolisma – peça aplicada a um vestido, a um desenvolvimento literário, a partir de um determinado texto). Assim, O Pai Nosso termina com “mas livrai-nos do mal.” E o embolismo prossegue, acrescentando-lhe “Livrai-nos de todo o mal, Senhor...”, o que parece remontar ao tempo de São Gregório, pelo século VI. Pergunta-se: seria necessário completar a palavra de Jesus?... Não basta o Pai Nosso?... E continua: “enquanto esperamos a vinda de Jesus Cristo, nosso Salvador... enquanto aguardamos a jubilosa esperança e a vinda gloriosa do nosso Salvador, Jesus Cristo.” O embolismo termina pela doxologia “Vosso é o reino e o poder e a glória para sempre” , que não faz parte do Pai Nosso de Mateus, mas foi inserida pelo século II, muito usada nas igrejas do Oriente, assim como pelos protestantes e anglicanos. O novo Missal, Romano integrando-a na nossa liturgia, une-se à tradição das outras Igrejas cristãs.

n) O rito da Paz – O Missal explica: “Os fiéis imploram a paz e a unidade para toda a Igreja e para toda a família humana; e saúdam-se uns aos outros, em sinal de mútua caridade.”(56) Consta de três elementos: a oração pela paz, a saudação, à qual a assembléia responde “O amor de Cristo nos uniu” e o gesto da paz, que é facultativo. Não faz parte da tradição litúrgica entoar-se um canto durante a saudação. Mas este sinal de fraternidade foi muito bem acolhido pelo povo, tornando-se um dos elementos de maior participação de toda a assembléia. Se há um canto durante a saudação da paz, que seja curto e leve, e não tenha um conteúdo de fraternidade e amizade apenas, mas um anúncio de que Jesus traz a verdadeira paz. “Ele é nossa paz.”(Ef 2, 34). Portanto, deve referir-se a Cristo, à paz do Ressuscitado. Não deve ofuscar nem invadir o canto que acompanha o rito da fração do pão, o “Cordeiro de Deus”. A questão está na seleção dos cantos apropriados para este momento... Cuidado para não abusar dos cantos de paz, deixando-os para os dias mais solenes, festas especiais, optando de preferência por cantar o Cordeiro de Deus, ao realizar a fração do pão.

o) Cordeiro de Deus - Foi introduzido na Missa pelo Papa Sérgio, no século VIII, inspirando-se nas palavras de João Batista, ao saudar Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo...” , e com acentos de glória e louvor tirados do Apocalipse, onde o Cordeiro aparece com toda a sua majestade pascal. De início, um canto litânico, a invocação era repetida enquanto durasse o rito que ela acompanhava. No século XI as invocações foram limitadas a três, sendo que a última conclui com o “Dai-nos a paz!” O Missal Romano acrescenta: “Pode repetir-se o número de vezes que for preciso, enquanto durar a fração do pão.”(n.63) Compete ao povo/ animador do canto/ coral e não ao sacerdote, entoar este canto, acompanhando o partir do pão para a comunhão, preparando-se a assembléia para participar do banquete pascal do Cordeiro imolado e glorioso, ele nossa paz.

p) O Canto processional da Comunhão – Acompanha o rito da Comunhão, sendo o canto mais antigo da missa, aparecendo já em Roma no século IV. Inicialmente se entoava o Salmo 34 (33) “Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz de quem nele espera, nada lhe falta, será feliz.” (Foi minha primeira composição, em 1969, e está gravada num simples compacto, que guardo como relíquia. Vale a pena registrar...) São Jerônimo nos fala deste canto, que com o tempo, foi cantado após a comunhão, o chamado postcommunio. Diz a Introdução Geral ao Missal Romano: “Enquanto o sacerdote e os fiéis recebem o Sacramento, tem lugar o canto da comunhão, canto que deve expressar, pela união das vozes, a união espiritual daqueles que comungam, demonstrar ao mesmo tempo a alegria do coração e tornar mais fraternal a procissão dos que vão avançando para receber o Corpo de Cristo. O canto tem início quando o sacerdote comunga, prolongando-se enquanto os fiéis comungam até o momento que pareça oportuno.” Um canto adequado à comunhão deverá corresponder ao sinal que está sendo realizado: a refeição fraternal do Corpo e do Sangue de Cristo, na fraternidade e alegria da participação do banquete eucarístico. Uma assembléia que caminha cantando em busca do dom gratuito e generoso do Pai que se senta à mesa com seus filhos e a todos alimenta com o Seu Filho Jesus, é símbolo de uma Igreja a caminho, alegre e festiva. Agora e aqui na terra, todos “convidados para a Ceia do Senhor; e um dia, jubilosos convidados para as Bodas do Cordeiro, o Cristo glorioso, no céu... Portanto, não são apropriados os antigos cantos de adoração ao Santíssimo Sacramento, nem cantos subjetivos e intimistas, de mensagem genérica. Na medida do possível, esteja em consonância com o evangelho proclamado: a Palavra se faz Eucaristia! É normal que os cantos de comunhão tenham, de alguma forma, a participação de toda a comunidade. A respeito do grupo dos cantores, que é sempre uma questão com muitas dúvidas, diz o Missal Romano: “O grupo dos cantores , segundo a disposição de cada igreja, deve ser colocado de tal forma que se manifeste claramente sua natureza, isto é, que faz parte da assembléia dos fiéis, onde desempenha um papel particular; que a execução de sua função se torne mais fácil; e possa cada um de seus membros facilmente obter uma participação plena na Missa, ou seja, participação sacramental. (n.312) Não há necessidade de multiplicar cantos durante o rito da comunhão: silêncio, alternância entre canto e instrumento, algum solo, repetição do refrão, convém mais, refletindo a unidade do mistério celebrado e da assembléia como um todo.

q) O canto após a Comunhão – O Missal Romano lembra a possibilidade de entoar um salmo, hino, refrão orante: “Terminada a distribuição da Comunhão, se for oportuno, o sacerdote e os fiéis oram por algum tempo em silêncio, recolhimento, interiorização. Se desejar, toda a assembléia pode entoar ainda um salmo ou outro canto de louvor ou hino. (n.83) É um canto facultativo,” não necessário, e às vezes nem desejável, quando já houve um canto de comunhão, com participação do povo, que se prolongou por algum tempo. (Estudo 79 da CNBB), não cabendo neste momento Oração pelas vocações, Ave-Marias, homenagens...(Homenagens e avisos são feitos após a Oração, antes da bênção final). Tem-se estimulado ultimamente em nossas igrejas o refrão bíblico, que pode ser entoado por um solista, ou grupo de canto, envolvendo aos poucos toda a assembléia, num clima orante, brotado do silêncio. Equilíbrio, bom senso, sensibilidade são sempre o melhor caminho para dosar canto e silêncio, levando a assembléia ao encontro com Deus.

r) Louvor Final – Não está previsto o chamado “canto final”, não faz parte da estrutura da missa, após a bênção e despedida do sacerdote, uma vez que com o “Ide em paz”, a assembléia está dispensada. Na saída do povo, o mais conveniente seria um órgão ou música instrumental, como acontece nas igrejas da Europa., ou uma bela intervenção do coro/ grupo de canto...Mas nosso povo de certa forma o incorporou ao seu repertório litúrgico, de modo que pode-se entoar um canto devocional – a Maria, ao santo padroeiro, ou outro, em vista da missão, de caráter mais livre.

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